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Onomástica[1]
São duas as
teorias sobre a origem etimológica do sobrenome Bedore:
I – A
primeira remonta ao latim “betula” (bétula), árvore européia de cuja casca se
extrai óleo medicinal e tanino para curtir peles e de sua seiva fabrica-se
açúcar e licores. De “betula, betuletum”(bosque de bétulas) surgem povoações
chamadas Bettola, Bedero, Bedoredo, todas na Itália. O sobrenome servia para
indicar que o cidadão era oriundo de uma dessas localidades ou de área
coberta com esta planta; podia indicar, também, que o cidadão extraía e/ou
comercializava produtos derivados da casca ou seiva da bétula.
II –
A segunda teoria, indica ser um sobrenome de origem francesa e apelativo. Os
sobrenomes chamados de origem apelativa são aqueles que derivam de um
“apelido” ou sobrenome com o qual designava-se o primeiro portador. O
sobrenome Bedouret derivaria do sobrenome “Bedue”, que em sua vez derivaria
da frase “bec dur”, forma regional de “bec doré, bec-d’or”, bico dourado,
bico de ouro, que literalmente significa “boca dourada”, com sentido
transposto de alguém comunicativo, que fala bem, bom orador, que tem boa
fluência, persistente e eloqüente.
Não sabemos ao
certo se este nome de família tem sua origem na Itália ou na França, pois
incidem com suas variantes nos dois países, ou se possuem relação entre si.
Acreditamos que possivelmente na Idade Média este sobrenome cruzou as
fronteiras da Itália para França ou vice versa, tendo-se em vista a
proximidade geográfica e a incidência acima mencionada. Um patriarca do
século XII-XIII, ou antes, ao legar este seu cognome como apelativo comum a
todos os seus filhos, deu origem à “Casata (clã) dei Bedore”. O sobrenome
recorda seu fundador, o “capostípite”. Se a origem do sobrenome for do latim
“betula”, sua evolução e variantes são: Bettola, Bedero, Bedoredo, Bedorin,
Bedori e Bedore; se for francesa: Bec dur, Bec-doré, Bec-d’or, Bedue, Bedu,
Bedouret, Bedoret, Bedoura, Bedouze, Bedorez, Bedor e Bedore. Se este
sobrenome, como acreditamos, possuir uma única raiz, uma das duas teorias
etimológicas sobre seu surgimento “cai por terra” e se não possuir, as duas
ou apenas uma pode ser válida etimológicamente. Ver no final desse capítulo a
transcrição na íntegra de todos os estudos onomásticos que encontramos sobre
o sobrenome Bedore.
Transcrição, quse que na íntegra, da pesquisa
histórico-lingüistica do nome de família BEDORE, feito pela empresa Stemma a
nosso pedido SUAS ORIGENS GEOGRÁFICAS O nome
de família Bedore se constitui num sobrenome muito raro e típico de restritas
áreas da Itália setentrional. Sua inscidência mais expressiva, porém, se
registra historicamente na Província de Padova, Região do Vêneto. É
interessante observar que, nesta Região (na atualidade), ocorre somente em
pequena área do sul da Província, chamada também de Baixa Padovana e ou
Euganea, sendo praticamente inexistente no restante do território vêneto. O
sobrenome se faz presente (na atualidade) também nas Regiões da Lombardia, do
Piemonte, e da Ligúria, territórios confianates com a Suíça italiana e francesa
e também com a França; sua presença foi constatada também na Província de
Modena, da Região da Emília-Romanha. Sua distribuição geográfica no norte da
Itália nãopermite afirmar se se trata de um único tronco familiar,
descendente de um só patriarca medieval. Pode-se, contudo, constatar que sua
presença mais significativa se concentra na Proivíncia de Padova, no Vêneto,
nas demais Regiões ocorre de forma ocasional e dispersa[2]. Um
levantamento efetuado nas listas telefônicas de 1996/97 de todas as Províncias
italianas apresentou um resultado ondizente com quanto foi afirmado no
parágrafo anterior. De fato, o sobrenome se distribui em restritas e
dispersas áreas do extremo norte da Itália, ocorrendo sempre com índices de
freqüência baixos. A principal exceção se relaciona com a pequena
concentração no Vêneto, localizada aos sul da cidade de Padova (ver Bedores
na atulaidade na Itália, Capítulo 3, atrás). Cumpre
salientar que o nome de família Bedore ocorre nas áreas de grande influência
fancesa no norte da Itália. O Piemonte ainda fala seus dialetos de forte
influência francesa. O mesmo ocorre com a Lombardia, a Ligúria e a
Emília-Romanha., Regiões que foram habitadas pelos francos desde o século
VIII e tiveram influxos e dominações da França por quase um milênio. Além
disso, a política medieval desses Feudos, Repúblicas, Ducados e Condados
giravam em torno dos interesses franceses. Com relação ao Vêneto, a
influência francesa ocorreu através da literatura de cordel e das relações
comerciais com a Provença. Este fato pode ter determinado a forma final do
sobrenome ou, como querem alguns, o mesmo sobrenome teria sido importado da
França,no período medieval, fruto dessa influência e dessas realções
políticas e econômicas. Este mesmo fato teria ainda determinado sua dispersão
nos terrritórios setentrionais. Como já foi assinalado, não existe, como
efeito, uma área geográfica em que se verifique uma concentração consistente
e significativa do sobrenome. Excetuando-se a pequena área paduana, onde so
índices de freqüência também não são muito expressivos, o sobrenome ocorre de
modo de todo ocosional e disperso[3]. Dentre
os 105 municípios paduanos, o sobrenome Beodore (em 1996/97) foi constatado
nos seguintes: Carrara Sna Giorgio (02), Stanghella (5), Vescovana (2). Nota-se
que no município de Ospedaletto Euganeo,pouco distante destes e de onde
partiram os antepassados do requerente [Adriano Bedore], o sobrenome não
consta[4]. SUAS ORIGENS LINGÜISTICAS E HISTÓRICAS Sob o
ponto de vista lingüintíco, o nome de família Bedore é um vocábulo composto
por dois elementos distintos que serão analisados a seguir. Cumpre salientar
que esta composição foi motivo de diferentes explicações e interpretaçãoes. A
primeira segue uma linha italiana e interpreta este sobrenome como de origem
latina, tendo-se formado no idioma italiano arcaico, detectando-se uma série
de variações e modificações através dos séculos[5],
até atingir a forma final de atual. A segunda hipótese também recorre ao
latim, mas afirma que o sobrenome se teria formado em território francês,
tendo sido introduzido na Itália através da migração de algum ou alguns
membros desse tronco familiar que se estabeleceram em definitivo em
território italiano em épocas passadas. A
primeira teoria,tipicamente italiana, incova o termo latino betula ou betulla
para explicar este sobrenome.O vacábulo aparece, na literatura latina,
ocasionalmente. Ressalta-se a passagem da obra Naturalis Historia [16,176] do
historiador Caius Plinius Secundus (23-79 dC), na qual elogia as priopriedades
desta árvore,especialmente de sua casca. A bétula, árvore que alcança até 30
metros de altura, é típica de solos pobres e forma densos bosques nas colinas
e montanhas européias. Da família das betuláceas, seu nome científico é
bétula verrucosa; suas folhas sãopequenas, alternadas e dentadas e suas
flores se agrupam em cachos. Sua madeira era usada quase unicamente para a
queima doméstica, mas sua casca, facilmente destacável de seu tronco, era
amplamente utilizada, desde a época dos romanos, para a extração de um tipo
de óleo medicinal, muito usado também em massagens por seu perfume suave e
delicado. Da mesma casca, se extraía também um tipo de tantino, próprio para
curtir peles e couros. Além disso, sua seiva cristalizada era usada como
adoçante e da mesma ainda se produzia um tipo de licor. Sua maior importância
econômica,porém estva ligada ao óleo e ao tanino que fornecia, com suas
propiedades e finalidades assinaladas, ambos já conhecidos e extraídos na
época dos romanos. Além de
bétula, em Portugal é chamada também de vidoeiro, denominação que deriva
diretamente da foram latina medieval betularium, bosque de bétulas. Através
de sucessivas alterações fonéticas, o nome da planta evoluiu para betulario,
bedolairo, bedoleiro, vedodeiro, vedoeiro, vidoeiro. Esta denominação
portuguesa se aproxima, em termos gerais, da evolução italiana que dará
origem ao sobrenome em análise, BEDORE. Existem
duas explicações diferentes para acompanhar o processo evolutivo que comprova
a progressiva fixação do sobrenome na forma atual Bedore. A primeira invoca
um vocábulo latino betuletum, bosque de bétulas. Os coletivos latinos,
especialmente os relativos a vegetais, eram formados pelo acréscimo do
sufixo- etum ao termo original. Assim de quercus, carvalho, forma-se quercetem,
bosque de carvalhos, carvalhal; de pirum, pêra, deriva piretum, pereiral,
plantação de pereiras; de vinea, vinha, parreira, forma-se vinetum, vinhedo,
parreieral, etc. Assim também, de bétula, dediante o ascrécimo este sufixo,
se forma o derivado beluletum, bosque de bétulas. Existia
uma localidade, pertencendte ao antigo Ducado de Milano, hoje situada na
Suíça, a poucos quilômetros da fronteira italiana, designada Bedoredo. Esta
povoação foi assim chamada por ter surgido em área de marcante presença da
bétula, cercada por bosques desta planta. A primeira notícia histórica
documentada da localidade remonta ao ano de 1227. O documento taz a data de
23.MAIO,1227 e estabelece normas sobre o uso das pastagens públics do Vale
Leventina, no coração dos Alpes. No final do documento, o tabelião, chamado
Valentius, trancreve os nosmes de todos os representantes [mais de cem] de
todas as povoações do vale, envolvidas e interessadas em proteger seus
interesses comuns no pastoreio dos animais. Da longa nominata de cidadãos,
aprecem estes da referida localidade “....et Jacobus fq Villani de Ronco de
Bedoredo et Ambroxius fq Axervi de Gernario de Bedoredo pro se et pro comuni
eorum vicinancie de Bedoredo...”, traduzindo: e Jacobus filho do tal Villanus
de Ronco de Bedoredo e Ambroxius filho do tal Acerbus de Gernário de Bedoredo
para si e para os vizinhos da comuna de Bedoredo. Um outro
documento, de 07.FEV.1297, um sacerdote recebe de um cidadão uma doação de
grãos em benfício dos pobres da igreja de Sna Giorgio. O escrião cita, no
final do ato lavrado, as quatro testemunhas da doação, a primeira das quais
era o vigário desta localidade, “Dom. Pbr Marchus de Bedoredo” (Senhor
presbítero Marcos de Bedoredo). Um terceiro documento, datado de 02.JUL.1345,
um cidadão presta queixa sobre outro que teria invadido uma área de
pastagens, na qual não teria direito de levar suas vacas. O escrivão lavra o
ato e, dentre as seis testemunhas, menciona um “Francischus fq Ambroxii de
Vallare de Bedoledi”. A
localidade é mencionada muitas vezes e quase sempre como Bedoredo. A forma
Bedoledi de 1345 denota uma variante popular da anterior ou o escrivão,
ciente de sua origem etimológica de bétula, preferiu transcrevê-la desta
forma. Esta pequena localidade se chama hoje de Bedretto, forma reconstituída
após o século XVI. Através de uma volta ao latim betuletum, nota-se que a
denominação atual conserva sua evolução para Betoleto e Dedoreto, mas
altera-a, ao lheconferir como desinência o sufixo diminutivo – etto que não
respeita o sufixo original latino,o qual não representa um diminutivo, mas um
coletivo [como foi visto – etum]. A forma reduzida Bedretto leva a crer que
subsistia, na fala popular, a variante Bedredo ou Bedreto, comcomitantemente
com Bedoredo. Acatando-se
esta explicação, o sobrenome Bedore refete o nome desta localidade ou sugere
que o mesmo deriva diretamente de Betuletum, bosque de bétulas. O significado
final do mesmo indica um cidadão natural desta localidade e, por esta razão,
assim cognominado. Pode, no entanto, ser simples indicativo de cidadão que se
dedicava à extração das riquezas proporciandas por esta árvore, como a
casca,a seiva ou mesmo a madeira para a queima. A
dificuldade em aceitar esta explicação, segundo a maioria dos estudiosos do
assinto, é que a redação de Bedoredo não resultaria Bedore, mas conservaria a
sílaba tônica original, resultando Bedorè. De qualquer forma, não se pode
excluir a possibilidade da supressão deste acento e do deslocamento da sílaba
tônica, fatos que teriam levado o sobrenome a se fixar em Bedore. Estes fatos
fonéticos são até freqüentes na onomástica e toponomástica italianas, embora
não sejam tão usuais como os que presenvam a aentuação ou tonicidade
originais. A
segunda explicação recorre ao mesmo termo latino betula, betulla, mas não
considera o sobrenome Bedore como resultante do derivado latino betuletum,
Com efeito, Bedore seria resultande direto de betula, através dos dialetos
mombardos e piemonteses que designam esta árvore com as formas bèdar, bèder,
bèdra, bedero, bedere. Na vizinha Região do Trentino, esta planta é chamda,
nos falares locais, de bedol. Comprovam
esta interpretção as várias cidades e localidades lombardas, cujos nomes
derivam diretamente da denominaçãodesta árvore, todas situadas nas Províncias
de Bérgano e de Varese. De fato, dentre as pequenas cidades, relembram-se as
de Bedero Valcuvia e Brezzo di Bedero, ambas em território de Varese,
próximas uma da outra e também próximas do Lago Maggiore. Além dessa duas,
deve ser mencionada a povoação de Bedero Valtravaglia, pouco distante da
última das duas cidades. Estas recordam, sem dúvida, seu surgimento em torno
de bosques de bétulas ou em áreas de grande presença dessa árvore. Na
realidade, este fato pode ser comprovado pelo grande número de outras
localidades e cidades da região, cujos nomes reconstituídos possuem maior
fidelidade ao termo latino original, como Bedole, Bedulita, Beduzzo, Bettola
[oito, no total], Bettole [cinco], Bettolino, Betule, etc. Cumpre salientar que
todas estas localidades se situal nos territórios da Lombardia e do Piemonte,
áreas em que, como já foi visto acima, o sobrenome Bedore ocorre com relativa
freqüência. Esta
explicação difere da primeira somente com relação à origem etimológica do
sobrenome, invocando o termo latino betula, desprovido do sulfixo coletivo –
etum. No tocante a seu significado final, permanece idêntico, uma vez que
reconduz à mesma origem espacial [cidadão oriundo de uma destas localidades
ou de áreas cobertas de bétulas] ou à mesma atividade de extração das
riquezas propiciadas por esta planta. A
segunda teoria reconduz o sobrenome Bedore a uma origem tipicamente francesa,
afirmando que o mesmo teria sido,em época nãodeterminada (lembramos que o
primeiro ducumento que aparece o sobrenome na Itália é em 1598 em
Ospedaletto), introcuzido no norte da Itália por algum membro desse tronco
familiar francês. Esta teoria invoca outras origens lingüinsticas e
históricas deste sobrenome. Fica particamente descartada que o mesmo derive
do termo bétula que, no francês, subsiste na forma bouleau (pronúnicia,
bulo), embora o vocábulo em si seja hereditário do latim bétula (evolui para
o francês arcaico beula, depois boula e bouleau). A única
explicação que se encontra, por enquanto, para remontar às origens
etimológicas de Bedore é através do sintagma francês bec – dorè (bico
dourado) ou também do sintagma bec – d’or (bico de ouro). Esta segunda
hipótese é, lingüisticamente, mais viável, uma vez que não pressupõe a
supressãoposterior deacento tônito final para deslocá-lo á sílaba anterior. Este
duplo sintagma é formado por dois vocábulos distintos, ligados ou não pela
preposição de, de. O primeiro remonta ao latim beccus, bico das aves. Na
verdade, o termo latino é um empréstimo do celto ou gaulês bek ou beku e
épouco usado no idioma latino, preferindo-se o vocábulo rostrum para designar
a boca óssea das aves. De qualquer modo, o histoiriador Caius Suetonius
Tranquillus (69-125) jáo usa em seu livro Vitellius [1,8]. Por outro lado, já
no francês arcaico, o termo bec tem seu seu sentido transposto para o de
boca, aplicado ao ser humano. São antigas as expressões francesas “avoir Ben
bec” [ter bom bico, isto é, ter boa fala,boa fluência, facilidade em se
expressar] e “clouer lê bc” [fechar o bico, isto é, calr, fechar a
boca,emudecer-se]. O
segundo elemento constitutivo dos sintagmas ou expressões remonta ao vocábulo
latino aurum, ouro. No segundo sintagma, reflete de aurum, de ouro, que
resulta em d’or;no primeiro, doré provém do termo latino deaureatus,dourado,
composto claramente de de mais aureatus, com a junção em deaureatus [uma
longa tem como resultante doré]. De
acordo com esta interpretação, é fácil explicar o significado deste
sobrenome. Teria surgido de um apelativo de cunho popular,conferido a cidadão
de boa fala, de linguajar apropriado, de boa fluência, comunicativo. Dentro
da termonologia francesa, poderia ter sido também aplicado a orador de
palavra fácil e requintada, comunicador exímio,envolvente através da fala e
do raciocínio expresso. Que o apelativo fosse aplicado também a bajulador,
adulador,restaria conferir com mais precisão dentro da história lexical
francesa, bem como dentro do contexto histórico e social medieval. Deve-se
ter presente ainda que era bem a gosto dos cidadãos medievais atribuir
apelativos figurados às pessoas. Os nomes dos animais faziam parte atribuir
apelativos figurados às pessoas. Os nomes dos animais faziam parte da cultura
popular,conferindo-os de modo figurado a portadores que relembrassem os atributos
dos mesmos. Assim também, a expressão bec – d’or ou bec – doré se refere a bico dourado, mas no
sentido figurado pode qualificar pessoa de palavra apropriada e requintada,
bonita de ser ouvida e apreciada, pessoa, portanto, que tinha uma boca de ouro,
uma boca dourada. Uma nota
inda. O termo bec – doré designa também um pombo de bico e patas amarelas.
Parece, contudo, que o sobrenome não tem realção com esta ave. Se tivesse,
seria interpretado como indicativo de criador ou caçador e mercador de carnes
dessa ave. Poderia também ser interpretado como apelativo popular que
ressalta algum atributo do cidadão que recordasse esse tipo de pombo. O
termo,porém, e muito recente. SURGIMENTO DO SOBRENOME Na época
do Império Romano,distinguiam-se as pessoas através do praenomem, nomem e
cognomen. O primeiro representava o nome próprio de cada indivíduo;o segundo
repetia a designação do clã ou da gens a que pertencia este indivíduo; o
último se referia à família ou grupo familiar inserido na gens. Assim, no nome
completo Marcus Tullius Cícero, o praenomen Marcus designa o rador e
escritor; Tullius é o nomen derivado da gens Tullia; e Cicero, o cognomen da
família em âmbito menor, inserida no grande clã, na assim chamda gens Tullia. Com a
queda do Império Romano, no ano 476 depois de Cristo, esta sistemática de
individualização dos cidadãos, das famílias e dos clãs ou tribos, caiu em
total desuso. Na Idade Média passou, pois, a vigorar tão somente o nome de
batismo para designar,distinguir e caracterizar as pessoas. Torna-se fácil
imaginar a confusão gerada por essa nova sistemática simplificada ao extremo.
Com a larga influência do cristianismo que difundia nomes de seus santos, os
antropônimos se tornaram de tal forma repetitivos que, a partir do século
VII, surgiu a primeira fórmula moderna para distinguir um indivíduo de outro,
ou seja, citando o nome do pai com expresso aposto ao do filho, como se pode
observar neste exemplo: Paulus filius quondam Philippi = Paulo filho do
senhor Filipe. Esta forma deu origem a muitos sobrenomes derivados de nomes
próprios que são classificados como antroponímicos e patronímicos. A segunda
formula criada nesse período acrescentava ao nome próprio da pessoa um
cognome representativo da profissão, da cidade de origem ou do local de
proveniência, de qualificação moral, de aparência física, de ato de bravura,
de título de benemerência ou nobiliárquico, de posição e prestígio social,
etc. A
segunda fórmula está, com certeza, na base da origem, formação e fixação do
nome de família Bedore. Existi, portanto, um patriarca medieval chamado
Bedore,por uma das razões apontada, Este patriarca fundador tornou-se o
capostípite [fundador, inciador] de novo tronco familiar, ao repassar seu
próprio cognome a seus filhos e aos demais descendentes. Pelo fato de Bedore
ser usado como distintivo dos descendentes do patriarca fundador, tornou-se a
Casata Del Bedore. O termo Casata ou Casato designava, de ínicio, o casarão
ou casario em que habitava a geralmente numerosa descendência do capstípite
ou patriarca, a cuja autoridade e tutela todos se submetiam. Posteriormente,
o termo passou a indicar a própria família, a estirpe, o clã, o núcleo
familiar que gravitava em torno do paterfamílias comum. Ao se referir a todos
os filhos e demais descendentes desse patriarca, a expressão se pluralizou,
resultando em Casata dei Bedore. Nota-se
que a elemento principal [Bedore] não assumiu a forma plural [do contrário,
seria Bedori]. Este processo vale para a teoria que defende a origem latina e
italiana deste sobrenome. A expressão Casata dei Bedore se simplificou
depois, na fala popular e coloquial, em Casata Bedore. Por fim, permanece tão
só o cognome designativo de todos os membros da mesma, Bedore. Esta
resultante se fixa como sobrenome específico de toda a posterioridade do
patriarca medieval, o cidadão chamado Bedore. Se a
origem do sobrenome remontar ao francês arcaico ou mais recente [após o
século XVI], o processo de formação e fixação é outro, mas não se distancia
muito do italiano, uma vez que se usava a expressão le clan, la famille du
Bedore que evolui para clan dês Bedores. Ao ser introduzido na Itália se fica
na forma atual, Bedore. Resumindo,o
sobrenome surgiu do cognome do capostípite. Seus descendentes passaram a
usa-lo como distintivo da Casata ou como nome de família que se perpetua até
hoje. Acredita-se que tenha surgido em torno dos séculos XII-XIII, porquanto
é nesse período que se fixam os falares regionais na Itália. Se for de origem
francesa,pode ser anterior, pois na França, o distanciamento do latim ocorreu
bem antes, a partri dos séculos VIII-X. Infelzimente, não se tem notícia de
documentação histórica que auxilie na definição de data mais precisa.
Trata-se, contudo, de sobrenome plurissecular e que ou, quem sabe, mais que
milenar. TRANSFORMAÇÕES FONÉTICAS Quase
todas as palavras sofrem, através dos séculos,uma série de alteraçõesna
pronúncia e na escrita. Essas alterações são chamadas, em lingüíntica
histórica, de evoluções ou transformações fonéticas. Usa-se o signo
lingüítisco”>” que significa “ dá origem a” ou evolui para”, e serve para
indicar a passagem de uma forma fonética anterior para outra posterior. O
sobrenome Bedore passou por uma série de alterações fonéticas. Se o termo
original latino foi betuletum,verifica-se estas várias e sucessivas
modificações de cunho fonético: apócope ou queda da consoante nasal final e
abrandamento da vogal final, tendo-se betuletum>betuletu>betuleto; abrandamento da vogal pré-tônica e substituição das
duas consoantes linguodentais surdas pelas correspondentes sonoras ou Betuleto>Betoleto>Bedoleto>Bedoledo;
segue-se a substituição da consoante
líquida lateral pela vibrante simples, tendo-se Bedoledo>bedoredo; finalmente,ocorre a supressão da sílaba final,
obtendo-se Bedore. Se o
sobrenome se originou das formas dialetais lombardas e piemontesas, bedar,
beder, bedero, bedere, as alterações seguem outro rumo. De fato, o termo
latino bétula sofre modificações várias, algumas das quais se identificam com
as acima descritas. Houve, no entanto, outro tipo de abrandamento da vogal
final ou supressão da mesma. Na passagem de Bedero, Bedere,houve a lateração
da vogal tônica, surgindo a resultante final Bedore. Acatando-se
a teoria de sua origem francesa, o sobrenome segue outra linha de alterações
fonéticas. Partindo de francês bec — d’or, nota-se a aglutinação dos
componentes deste sintagma, com a queda da consoante gutural
medial,resultando Bedor; o ascréscimo da vogal átona muda é fenômeno típico
francês, pelo qual se atinge a forma final Bedore. Se a origem tiver sido bec
– dorè, o processo é idêntico, tendo-se presente, porém, qu a vogal final já
existente e portadora do acento tônico se torna átona, resultando, pois: Bec –
dorè>Bedorè>Bedore. O
restante do processo evolutivo para configurar a forma final Bedore já foi
descrito no item anterior. Recordando, esta se fixa com a expressão latina
medieval Casata
dei Bedore. Se o sobrenome é fancês,
surge com a expressão clan dês Bedores que se modifica em Clan Bedore. A queda em desuso dessa expressões transmite somente
a forma reduzida das mesmas, ou seja, a forma dosobrenome como persite até
hoje, no caso, o distintivo específico e geral deste núcleo ou tronco
familiar, Bedore. Um
quadro esquemático das origens e das transfromações fonéticas deste nome de
família poderia ser assim apresentado: BETULA + ETUM > BETULETUM [Latim} BETULETU > BETULETO > BETOLETO > BEDOLEDO > BEDOREDO > BEDORE ou BETULA > BETOLA > BEDOLA >BEDORA > BEDRA > BEDAR > BEDERE > BEDERO >
BEDORE ou BEC – D’OR > [Francês] > BECDOR > BEDOR
> BEDORE ou BEC- DORÈ [Francês] > BECDORÈ > BEDORÉ
> BEDORE CASATA DEL BEDORE > CASATA DEI BEDORE > CASATA BEDORE > BEDORE SEU SIGNIFICADO O
significado do nome de família Bedore, após a explanação e a fundamentação de
caráter histórico-lingüístico acima apresentadas, parece bastante claro senão
de todo transparente, ainda mais que existem variadas interpretações a
respeito de suas origens. Convém, pois, tecer ainda algumas consideraçãoes
para melhor elucidar o significado final deste sobrenome e sublinhar alguns
detalhes que possam ter passado despercebidos no decorrer desta análise. O
primeiro grupo de estudiosos relacionam este sobrenome a uma planta, a
bétula. Esta relação pode ser direta ou indireta. No primeiro caso, o sobrenome
recorda o cidadão medieval como era lenhador que extraía ramos e gravetos de
bétulas, ou mesmo os troncos das plantas mais velhas e secas, para a queima
em fornos, fornalhas, fogões, lareiras e também no processo de obtenção do
carvão vegetal. Mais provavelmente, porém, assim era cognominado o cidadão
que extraía outros produtos dessa árvores, de modo particular, sua casca para
a obtenção do óleo de bétula com variadas aplicações, bem como da mesma
extraía o tanino para curtir peles e couros. Eventualmente, poderia também
aproveitar sua seiva para cristaliza-las e consumi-la sob a forma de açúcar
ou ainda para destiná-las ao fabrico de licores. Outros
preferem interpretar este sobrenome como um típico e claro toponímico, uma
vez que recorda uma das várias cidades e localidades chamadas Bedretto [antiga Bedoredo], Bedero, etc. Neste caso, o sobrenome recorda a localidade de
origem do patriarca fundador deste ramo familiar. Este grupo de estudiosos,
na verdade, se constitui na maioria porpensa a esta interpretação. O
sobrenome Bedore significa, portanto,
habitante oriundo ou egresso de uma dessas localidades de igual nome. Segundo
outra corrente, embora favorável a esta interpretação, recorda que, como
toponímcio, o sobrenome pode se referir simplesmente a laguem oriundo ou
proveniente de local situado nas cercanias de um bosque de bétulas, de uma
área com marcante presença desta árvore. O sobrenome recordaria estes bosques
como referencial específico para designar a origem espacial ou areal deste
paterfamílias medieval, chamado Bedore. Finalmente,
os estudiosos que recorem a uma origem francesa conferem um significado
completamente diverso a este nome de família. De fato, se o mesmo é uma
continuação alteração dos termos ou sintagmas bec – d’or, bec – doré, seu significado final admite outro direcionamento. O
sobrenome recordaria um cidadão medieval bem-falante, com boa e reconhecida
fluência no ato de se expressar, um cidadão comunicativo, de belas e
apropriadas palavras e, por isso, chamado de bico de ouro, boca dourada. O
significado, de acordo com esta interpretação francesa, recorda um cidadão
assim cognominado por suas qualidades e atributosno ato de falar, de se
expressar. Esta origem e conotação, evidentemente, não transparece, quando de
sua transferência para o território italinao. O sobrenome é simplesmente
transposto de local e conserva suas remotas origens como que um segredo, algo
que deverá ser interpretado para ser entendido. Se esta, realmente, for a
origem do sobrenome Bedore, a única explicação plausível, por enquanto é
esta. Concluindo,
sabe-se que um patriarca ou paterfamílias dos séculos XII-XIII,ou talvez
antes, assim foi cognominado por uma dessas razões. Ao transmitir seu próprio
cognome como apelativo específico e comum a todos os seus filhos, deu origem
à Casata
Del Bedore, dita também Casata dei Bedore. A expressão se reduziu depois à forma de sobrenome
atual que perpetua a memória do patriarca fundador desse ramo familiar, o capostípite Bedoredo,
Bedore, ou Bec-doré, Bec-d’or, Bedor, Bedore. |
[1] Essas informações foram obtidas, basicamente, do dicionário dos sobrenomes italianos de Ciro Mioranza, volume I e do dicionário das famílias brasileiras de Barata e Cunha Bueno.
[2] Não podemos nos esquecer da
numerosa família Bedore pesquisada por mim na paróquia de São João Batista de
Ospedaletto revelando-nos que essa família, viveu naquela região por mais de
quatro séculos [encontramos Bedores de 1598 a 1996 naquela cidade], o que
corrobora mais ainda com a conclusão do autor desse trabalho.
[3] Na atualidade, posto que até, aproximadamente meados do século passado, como ficou provado através das minhas pesquisas, o sobrenome Bedore teve forte concentração na cidade de Ospedaletto Euganeo, ver Capítulo Bedores de Ospedaletto] [na atualidade, posto que até, aproximadamente meados do século passado, como ficou provado através das minhas pesquisas, o sobrenome Bedore teve forte concentração na cidade de Ospedaletto Euganeo, ver Capítulo Bedores de Ospedaletto.
[4] de fato, no que pese a grande quantidade de Bedores
que viveram em Ospedaletto nos séculos XVI a meados do século XX (que
conseguimos comprovação), hoje não há ninguém que carregue esse sobrenome; há
sim descendentes de Bedores, mas não ostentam o sobrenome.
[5] É interessante notar que o documento mais antigo, por mim pesquisado, que aparece o sobrenome Bedore tal qual vê-se hoje data de 30.AGO.1598 e trata-se do casamento de Vicenzo Bedore com Fiori Curello, naturais della Torre (localidade entre Ospedaletto Euganeo e Este).